O que é a Lei 14.300 da energia solar?
A Lei 14.300/2022 é o marco legal da micro e minigeração distribuída no Brasil. Antes dela, as regras da energia solar conectada à rede eram definidas apenas por resoluções da ANEEL, que podiam mudar a qualquer momento.
Com a lei, as regras ganharam mais estabilidade e segurança jurídica: ficou definido como funciona o sistema de compensação de créditos, quem tem direito às regras antigas e como será a transição para o novo modelo.
Como funciona a compensação de créditos de energia?
Um sistema solar on-grid gera energia durante o dia. Parte dela é consumida na hora, dentro do imóvel. O que sobra é injetado na rede da concessionária e vira crédito de energia em kWh.
À noite, ou em dias nublados, você consome energia da rede e esses créditos são usados para abater o consumo. É o chamado Sistema de Compensação de Energia Elétrica.
Pontos importantes:
- os créditos não utilizados ficam acumulados e valem por 60 meses;
- o custo de disponibilidade (taxa mínima equivalente a 30, 50 ou 100 kWh para mono, bi e trifásico) continua sendo cobrado;
- a energia consumida no momento da geração (autoconsumo instantâneo) não passa pela rede e, por isso, não sofre a cobrança do Fio B.
O que é o Fio B e por que ele passou a ser cobrado?
A tarifa de energia tem várias partes. Uma delas é a TUSD (Tarifa de Uso do Sistema de Distribuição), que remunera o uso da rede. Dentro da TUSD existe o Fio B, que corresponde ao custo da infraestrutura da distribuidora local: postes, cabos, transformadores e sua manutenção.
Antes da lei, quem tinha energia solar compensava praticamente toda a tarifa com os créditos. O argumento para a mudança é que esses consumidores continuam usando a rede para injetar e retirar energia e, portanto, devem contribuir com parte do custo dela.
Com a Lei 14.300, a energia compensada passou a ter cobrança do Fio B para os novos sistemas, de forma gradual.
Como funciona a regra de transição do Fio B?
Para quem fez a solicitação de acesso à concessionária após 7 de janeiro de 2023, a cobrança do Fio B sobre a energia compensada começa pequena e aumenta ano a ano, em uma escala de transição definida na lei, até chegar à cobrança integral.
Na prática, isso reduz um pouco a economia em relação às regras antigas, mas não elimina a vantagem. No nosso simulador de energia solar, esse efeito é representado por um fator de compensação médio de 0,85, ou seja, considera-se que cada kWh injetado compensa em média 85% do valor de um kWh comprado.
Depois do período de transição, as regras de valoração seguem o que for definido pela ANEEL, conforme previsto na própria lei.
Quem tem direito adquirido na Lei 14.300?
A lei garantiu as regras antigas (sem cobrança do Fio B na compensação) por um longo período para:
- quem já tinha o sistema conectado antes da publicação da lei;
- quem protocolou a solicitação de acesso na concessionária até 7 de janeiro de 2023.
Esse direito acompanha a unidade consumidora. Mas atenção: alterações relevantes no sistema, como aumento de potência, podem fazer com que a parte acrescida siga as novas regras. Antes de ampliar um sistema antigo, vale consultar um engenheiro.
Autoconsumo remoto e geração compartilhada: o que são?
A Lei 14.300 também trata de modalidades em que a energia é gerada em um local e usada em outro:
- Autoconsumo remoto: o mesmo titular gera energia em um imóvel e usa os créditos em outra unidade consumidora dele, dentro da área da mesma distribuidora. Exemplo: sistema instalado no telhado de um galpão abatendo a conta da residência.
- Geração compartilhada: várias pessoas ou empresas se reúnem, por exemplo em consórcio ou cooperativa, e dividem os créditos de uma mesma usina.
- Múltiplas unidades consumidoras: como condomínios, em que a energia gerada é dividida entre as unidades.
Cada modalidade tem regras próprias de cadastro e rateio, que devem ser definidas já no projeto.
Como a Lei 14.300 muda o projeto de energia solar?
Com a cobrança gradual do Fio B, o projeto ganhou ainda mais importância. Antes, superdimensionar o sistema "por segurança" tinha pouco impacto. Hoje, cada kWh injetado e compensado vale um pouco menos do que um kWh consumido na hora.
Por isso, um bom projeto considera:
- o histórico de consumo dos últimos 12 meses, e não só a conta mais alta;
- o perfil de uso ao longo do dia (residência vazia durante o dia ou comércio funcionando em horário comercial);
- planos futuros, como ar-condicionado ou carro elétrico, que aumentam o consumo;
- a categoria de ligação e o custo de disponibilidade, que continua sendo cobrado.
Todo sistema conectado à rede precisa de projeto, ART e homologação na concessionária, seguindo normas como a NBR 16690 para as instalações fotovoltaicas.
Energia solar ainda vale a pena depois da Lei 14.300?
Na grande maioria dos casos, sim. A cobrança do Fio B reduz a economia, mas o custo dos equipamentos também caiu ao longo dos anos e as tarifas de energia seguem subindo.
Para aproveitar melhor as novas regras:
- dimensione o sistema para o consumo real, sem exageros;
- concentre o uso de aparelhos de maior consumo durante o dia, aumentando o autoconsumo instantâneo;
- use créditos acumulados dentro dos 60 meses de validade.
Veja quanto o sistema custaria no seu caso no guia quanto custa energia solar. Se você está em Piracicaba ou região, conheça nosso serviço de energia solar, com projeto, homologação, instalação e monitoramento.
Perguntas frequentes
A Lei 14.300 taxou a energia solar?
Não existe uma taxa sobre o sol. O que mudou foi a compensação: para novos sistemas, a energia injetada e compensada passa a pagar gradualmente o Fio B, que é a parte da tarifa referente ao uso da rede de distribuição.
Quem instalou energia solar antes de 2023 vai pagar o Fio B?
Quem já tinha sistema conectado ou protocolou a solicitação de acesso até 7 de janeiro de 2023 manteve as regras antigas por um longo período, conforme previsto na lei. Ampliações de potência podem seguir as novas regras.
Por quanto tempo valem os créditos de energia?
Os créditos de energia injetada na rede valem por 60 meses. Depois desse prazo, os créditos não utilizados expiram.
O Fio B incide sobre toda a energia gerada?
Não. Ele incide sobre a energia injetada na rede e depois compensada. A energia consumida no momento em que é gerada não passa pela rede e não sofre essa cobrança.
Posso usar os créditos em outro imóvel?
Sim, pela modalidade de autoconsumo remoto, desde que as unidades sejam do mesmo titular e estejam na área da mesma distribuidora. O cadastro deve ser feito junto à concessionária.